Grupo pede que repressão na USP durante ditadura seja investigada

25 mai

Folha de S. Paulo – 25/5/2012

DANIEL RONCAGLIA
DE SÃO PAULO

Cerca de 200 pessoas participaram ontem de ato pedindo a criação de uma Comissão da Verdade da USP (Universidade de São Paulo).

A ideia é que, nos moldes da comissão federal, o grupo faça um relato sobre professores, alunos e funcionários que foram perseguidos ou colaboraram com a ditadura.

O ato foi organizado pelo Fórum de Esquerda, formado por alunos, e teve apoio do Levante Popular, grupo que recentemente fez “esculachos” em frente a casas de acusados de tortura.

Os manifestantes pedem que a comissão seja composta por membros eleitos.

O desejo é que ela possa receber testemunhos, convocar pessoas e requisitar documentos da universidade.

“É preciso abrir a caixa de surpresas da USP durante o regime empresarial-militar”, disse o professor Fábio Konder Comparato. A professora Deisy Ventura afirmou que a comissão poderia ser um modelo para outras instituições.

O grupo não sabe quem deve criar a comissão e quantos fariam parte dela. A reitoria diz que apoiar “toda movimentação” pela verdade.

17 de maio: lançamento de Escritas da Violência

16 mai

 

Comissão da Verdade: Maria Rita Kehl associa tortura a ‘gozo proibido’

16 mai

Integrante da Comissão da Verdade, psicanalista associa tortura a 'gozo proibido'

Psicanalista Maria Rita Kehl critica militares e diz ser contra investigar ações da esquerda
MORRIS KACHANI
DE SÃO PAULO

“Em menos de 40 anos, a presidente Dilma Rousseff estava no pau de arara e hoje está chefiando as Forças Armadas. Isso é uma glória para o Brasil. Mais importante do que ela ser mulher é o fato de ser ex-guerrilheira.” Com estas palavras, a psicanalista Maria Rita Kehl, 60, recebeu ontem a Folha em seu consultório para uma conversa sobre a Comissão da Verdade, da qual fará parte.

“Certamente altas patentes militares sabem que essa comissão não tem caráter punitivo. Então por que a mera divulgação os incomoda tanto? Há hipóteses. A otimista seria a de que têm vergonha do que fizeram. Mas a pessimista, ou realista, é: existe um gozo na teoria psicanalítica, que é o gozo proibido. Tão sem freios que no limite é mortífero”, disse.

Utilizando Marquês de Sade como exemplo, ela explicou: “A pessoa que está diante do corpo inofensivo dispondo dele a seu bel-prazer, está gozando. Então me parece que o grande vexame, e não a culpa ou o medo, é o sentimento que pode predominar entre aqueles que terão seus nomes citados eventualmente. Como se fossem devassados no seu sentimento mais íntimo”.

Para ela, o discurso de que muitos agentes da ditadura se consideravam a serviço do Brasil não cola. “Isso já é uma construção secundária, que te permite dormir em paz.” Kehl, que diz sempre ter votado no PT, afirmou que não participou da luta armada por tê-la considerado uma opção que significava quase ir para a morte, à época. “Não me parecia que havia condição para virar a mesa, destituir os militares, mesmo com mortos nessa batalha.” Indagada sobre a fala do ex-ministro da Justiça José Calos Dias, seu futuro colega de comissão, que defendeu a apuração das ações do regime e também da luta armada, a psicanalista afirmou: ”Não vejo simetria. Você falar em anistia para os dois lados implica supor igualdade de forças, dizer que o outro lado também tinha gente presa e condenada”.

Kehl lembrou que o Brasil é o único país da América Latina que perdoou os militares sem exigir ao menos o reconhecimento de crimes. Utilizando a linguagem psicanalítica, disse que “o problema surge quando você recalca algo que está mais ou menos sabido mas não é falado”. Esse processo, segundo ela, autoriza implicitamente o abuso da violência -”principalmente das instituições repressivas, que estão contaminadas”, acrescentou.

“O país passou por três séculos de escravidão e duas ditaduras, que terminaram do jeitinho brasileiro. Há um certo incômodo. É como se você abrisse as portas para a interdição inconsciente. Quando certos tabus da sociedade como o ‘não matarás’ são infligidos sem consequência, a conivência permanece.”

Angeli

16 mai

 

Folha de S.Paulo, 16/5/2012

O Brasil no banco dos réus

26 abr

Relação de trabalhos aprovados na VI Reunião do IDEJUST

5 abr

Confira aqui a relação de trabalhos aprovados para a VI Reunião do IDEJUST, que ocorrerá no dia 14 de abril, em Porto Alegre, na Faculdade de Direito da PUC/RS. A reunião integra a programação do Seminário Internacional Limites e Possibilidades da Justiça de  Transição: Impunidade, Direito e Democracia, que ocorrerá no Auditório da Faculdade de Direito da PUC/RS de 11 a 13 de abril de 2012.

Relação de trabalhos aprovados

Sábado Resistente: A resistência parlamentar à ditadura

25 fev

3 de março, das 14h às 17h30 no Memorial da Resistência (Largo General Osório, 66 – Luz)

PROGRAMAÇÃO

14h: Boas vindas - Katia Felipini

  Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo

Apresentação e Coordenação – Ivan Seixas

 Presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política

14h15 – 15h30:

Palestra e debate com Airton Soares

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; Curso de Desenvolvimento Econômico da América Latina, Universidade de Harvard, EUA, 1967 e 1969; Advogado de presos políticos durante o regime militar. Deputado Federal entre os anos de 1975 e 1987. Integrou o MDB de 1970 a 1979, fazendo parte do “Grupo dos Autênticos” deste partido. De 1979 a 1985 integrou as filas do PT, filiando-se depois desta data ao PMDB.

16h: Homenagem a Antonio Resk (1933 /2005)

Um dos fundadores do MHD (Movimento Humanismo e Democracia) em 1972, Antonio foi líder do então clandestino PCB e, abrigando-se no MDB, por esta sigla é eleito vereador neste mesmo ano, iniciando uma carreira política que se caracterizou pela dignidade e criatividade. A partir de 1978, foi eleito deputado estadual por duas legislaturas consecutivas. Estudioso das questões sociais escreveu o livro “A Revolução do Homem”, editado em 2001, no qual estudou com pioneirismo a Antropologia Política. Foi presidente do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO) e primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Escritores (UBE).

Convidado especial: Luis Gonzaga Belluzo (economista e advogado)

- Projeção de vídeo especialmente realizado para esta ocasião

- Lançamento do livro “Ruptura – Anomia na civilização do trabalho”, com textos de A. Rezk e organização de Marilucia Meireles e Marco Aurélio F. Velloso

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