
Folha de S.Paulo, 16/5/2012
Charge publicada por Steve Bell em 22/08/08
Se fosse preciso desenhar o mapa mundi da justiça internacional, ele mostraria um sistema judiciário global imperfeito, parcial nos dois sentidos do termo. Enfim, em construção. Desde os processos de Nuremberg e de Tóquio, organizados depois da 2º Guerra Mundial, numerosas instituições foram criadas, com o escopo de processar as maiores autoridades responsáveis por crimes de massa. Foram, porém, poupadas as que cometeram crimes na Chechênia, no Sri Lanka, no Sul do Líbano, em Gaza, no Iraque e alhures. As desigualdades saltam aos olhos. Regularmente, ONGs ou grupos políticos clamam pela punição de George W. Bush, Tony Blair, Ariel Sharon e outros, para denunciar uma justiça a duas velocidades. Leia aqui o dossier publicado hoje no Le Monde (DV).
A universidade, como espaço de livre pensamento, sempre foi um foco de construção democrática e de fomento de uma nova realidade, pautada na liberdade e na justiça. Por meio da ação de diversos de seus atores – e nem sempre institucionalmente – tem cumprido ao longo da história um importante papel na defesa das liberdades civis e dos Direitos Humanos, em sua resistência contra a opressão e à violência. Logo, é absurdo constatar que uma praça no principal campus da Pontifícia Universidade Católica de Campinas eternize a memória do general Emilio Garrastazu Médici, o general dos anos de chumbo da ditadura militar, responsável pelo endurecimento das perseguições políticas e pela efetiva implementação do nefasto Ato Institucional n°5 (AI 5), responsável por mortes, desaparecimentos forçados e torturas de presos políticos. Assim, dentro dos preceitos da Justiça de Transição, e em reconhecimento à resistência de diversos integrantes da Igreja que esta universidade representa, entendemos ser de plena justiça a homenagem à Frei Tito de Alencar Lima, histórico lutador e consequente vítima do regime ditatorial, cujas torturas o levaram ao suicídio. Leia integralmente e assine aqui a petição em linha Praça Médici nunca mais.
Enviado por Maria Carolina Bissoto. Charge de Carlos Latuff. A propósito, confira a nova página de charges de nosso site dedicada ao Latuff.